Documentação

Memorial Descritivo de Obra: Modelo Grátis em PDF + DOCX (2026)

📅 26/04/2026 · ⏱️ 7 min de leitura

Todo arquiteto entrega memorial descritivo em algum momento — pra anexar no contrato com o cliente, pra mandar pro orçamentista cotar a obra, ou pra quem vai financiar o imóvel pelo banco. O problema é o tempo: redigir um memorial bem feito leva 4 a 8 horas, e quase ninguém usa modelo padronizado. Resultado: cada projeto começa do zero, copy-paste de algum memorial antigo que pode estar desatualizado. Esse guia traz a estrutura completa baseada nas normas ABNT vigentes (NBR 13.532, NBR 15575), exemplos práticos de redação por ambiente, e libera um modelo editável em PDF e DOCX pra você baixar agora — sem cadastro.

Baixe o modelo agora (PDF + DOCX)

Antes de qualquer coisa, segue o modelo completo pronto pra editar. São duas versões do mesmo conteúdo: PDF pra visualização rápida e impressão, DOCX pra você editar no Word/Google Docs/LibreOffice. Sem cadastro, sem captura de email, sem pegadinha.

O modelo inclui capa formatada, instruções de uso, 10 seções pré-estruturadas, campos a preencher entre colchetes [assim], blocos repetíveis por ambiente (sala, cozinha, banheiros, quartos, áreas externas) e seção de assinatura. Foi montado pra atender 95% dos casos típicos de obra residencial e comercial pequena/média no Brasil — adapte pra realidade do seu projeto.

O que é o memorial descritivo, juridicamente

O memorial descritivo é o documento técnico que descreve em palavras todas as soluções de projeto, sistemas construtivos, materiais, marcas e métodos de execução da obra. É um dos componentes obrigatórios do projeto arquitetônico segundo a ABNT NBR 13.532 (Elaboração de projetos de edificações — Arquitetura), junto com plantas, cortes, fachadas e quadros descritivos.

Diferente da planta (representação gráfica) e da planilha de quantitativos (lista numérica de itens), o memorial é textual — explica pra quem ler o quê será feito, com quê, e como. Funciona como contrato técnico entre arquiteto, cliente, construtor e órgãos fiscalizadores. Quando bem escrito, evita 80% das discussões clássicas no canteiro do tipo "mas eu pensei que ia ser X" ou "o senhor não disse esse modelo".

Quem normalmente exige memorial descritivo no Brasil:

O que a NBR 15575 mudou no memorial descritivo

A ABNT NBR 15575 (Norma de Desempenho), em vigor desde 2013 e revisada em 2021, transformou o memorial descritivo de uma simples "lista de materiais" em um documento de comprovação de desempenho dos sistemas construtivos.

A norma estabelece parâmetros mínimos de desempenho pra cada sistema da edificação:

O memorial descritivo precisa COMPROVAR que cada sistema atende ao desempenho mínimo da NBR 15575. Não basta dizer "piso porcelanato" — tem que dizer qual classe de PEI atende ao tráfego previsto pra cada ambiente.

Na prática, isso significa que o memorial passou de 4-6 páginas (modelo antigo) pra 12-25 páginas (modelo NBR 15575). Mais trabalho, mas também mais proteção jurídica pro autor do projeto.

Estrutura padrão (10 seções obrigatórias)

Não existe lei federal padronizando o memorial, mas a maioria das prefeituras, da Caixa e do mercado segue uma estrutura parecida. Esta é a estrutura que cobre 95% dos casos:

  1. Identificação do projeto — proprietário, CPF/CNPJ, endereço, área, finalidade, profissional responsável (CAU/CREA), número da ART/RRT
  2. Características gerais da edificação — tipologia, padrão construtivo, número de pavimentos, número de unidades habitacionais
  3. Sistema construtivo — fundação, estrutura, vedação, cobertura, com referência às normas ABNT correspondentes (NBR 6118 estrutura, NBR 6122 fundação, NBR 8800 metálica)
  4. Especificação por ambiente — bloco repetível pra cada cômodo (piso, parede, forro, esquadrias, instalações, mobiliário fixo)
  5. Especificação por disciplina — agrupamento alternativo dos itens (todos os pisos, todos os revestimentos, todas as pinturas)
  6. Acabamentos e revestimentos — detalhamento por ambiente molhado e seco
  7. Instalações — elétrica, hidráulica, esgoto, gás, climatização, combate a incêndio (NBR 5410, NBR 5626, NBR 8160, NBR 13103, NBR 16401, NBR 13714)
  8. Esquadrias — referência ao quadro de esquadrias com tipo, material, abertura, ferragem (NBR 10821 alumínio)
  9. Pintura — tipo de tinta por ambiente, número de demãos, fundo preparador, marca
  10. Considerações finais — referências cruzadas, normas seguidas, assinaturas

Reforma residencial pequena fica em 4-6 páginas. Residencial médio padrão CAIXA passa de 12-15. Comercial corporativo grande pode chegar a 30-40 páginas.

Caso especial: memorial pro financiamento Caixa (PCI)

Vale uma menção rápida: se a obra vai ser financiada pela Caixa Econômica Federal, o memorial descritivo precisa seguir o formulário oficial AE130v015, que é parte da Proposta de Construção Individual (PCI). A PCI também inclui a Planilha Financeira de Unidade Individual (PFUI) com cronograma físico-financeiro, ART/RRT do responsável técnico, e projeto arquitetônico aprovado na prefeitura.

A Caixa avalia a PCI antes de liberar o crédito, e erro de preenchimento gera rejeição. Dicas pra passar de primeira: use o vocabulário exato do formulário (não invente sinônimos), especifique sempre marca/modelo de itens críticos (louças, metais, telhas), cite materiais com classificação técnica (porcelanato PEI 5, ferro CA-50) e informe a vida útil de projeto conforme NBR 15575.

Exemplo prático de redação por ambiente

Bom memorial é específico, técnico e verificável. Compare:

RUIM: "Cozinha terá piso cerâmico, paredes pintadas, bancada de granito."

BOM: "Cozinha (área 12,4 m²): piso porcelanato esmaltado retificado Portobello modelo Cement Bone, formato 60x60cm, classe PEI 5, junta 2mm, rejunte epóxi cor cinza. Paredes em revestimento cerâmico Eliane modelo Branco Polido, formato 32x60cm, até teto, junta 2mm, rejunte branco; pintura látex acrílica Suvinil Toque de Seda, cor Branco Neve, 2 demãos sobre fundo selador, no teto e parede acima do revestimento. Forro de gesso liso pintado, altura final do piso ao forro 2,70m. Bancada em granito Branco Itaúnas espessura 3cm com testeira reta. Cuba inox Tramontina Lavínia 50x40cm sob bancada. Torneira Deca Belle Époque modelo 1167. Instalações: 4 tomadas 2P+T 10A altura 1,10m, 1 tomada 2P+T 20A pra forno elétrico, ponto pra coifa com exaustão direto pra área externa."

A versão BOA elimina 90% das dúvidas na obra. Cliente sabe exatamente o que vai receber. Construtor sabe exatamente o que cotar. Fiscalização sabe exatamente o que verificar.

5 erros que invalidam ou enfraquecem o memorial

  1. Genérico demais. Escrever "piso de qualidade" ou "materiais conforme padrão de mercado" é juridicamente inútil. Em qualquer disputa, o cliente vai exigir o material mais caro do mercado e você não terá como argumentar.
  2. Esquecer marcas, modelos e classificações técnicas. Sem marca, fornecedor entrega o mais barato. Sem modelo, sem classificação técnica (PEI, classe da pintura, classe do vidro), sem norma de referência, qualquer interpretação vale.
  3. Não citar as normas ABNT aplicáveis. Toda especificação técnica deveria estar amarrada à norma correspondente: NBR 15575 desempenho geral, NBR 9050 acessibilidade, NBR 6118 concreto armado, NBR 5410 elétrica, NBR 5626 hidráulica, NBR 8160 esgoto sanitário, NBR 13714 combate a incêndio.
  4. Inconsistência entre memorial e plantas. Memorial diz porta 0,80m, planta mostra 0,90m. Memorial cita revestimento até 1,80m, planta detalha até 2,10m. Cliente leva pro tribunal e usa contra você.
  5. Reproduzir modelo pronto sem adaptar. O erro mais clássico: pegar memorial de outro projeto e mudar só o cabeçalho. Resultado: aparece especificação de ambiente que não existe na sua obra, ou falta especificação de ambiente que existe. Profissional fica desmoralizado.

Como acelerar a redação do memorial em 80%

O ponto que mais demora no memorial é o levantamento dos elementos da obra: contar quantos ambientes, quantos tipos de piso, quantas portas, quais instalações. Isso vem direto da planta — mas pesquisar no PDF/DWG manualmente leva horas.

Técnica que economiza tempo:

  1. Gere primeiro a planilha de quantitativos do projeto. Isso te dá a lista completa de itens por disciplina já contados.
  2. Use a planilha como checklist pra preencher o memorial. Cada disciplina da planilha vira uma seção descritiva do memorial.
  3. Copie as referências SINAPI/TCPO pros itens — elas já vêm com vocabulário técnico padronizado que você pode adaptar.
  4. Cruze o memorial pronto com a planta pra garantir consistência (item 4 dos erros).

É exatamente esse workflow que o AI.arq automatiza. Você sobe o CAD (PDF, DWG ou DXF), a IA lê todas as pranchas em ~5 minutos e devolve a planilha de quantitativos completa com 18 disciplinas, cada item amarrado à composição SINAPI/TCPO oficial. Aí você usa essa planilha como base pra escrever (ou completar) o memorial — ganho típico de 5 a 8 horas por projeto.

Modelo editável (PDF + DOCX) — link novamente

Pra fechar, segue de novo o link de download do modelo. Use à vontade, sem cadastro:

O modelo já vem com a estrutura das 10 seções, instruções de uso, referências às normas ABNT principais, blocos repetíveis por ambiente e bloco de assinatura. Adapte pra realidade do seu projeto, faça revisão final com profissional habilitado (CAU/CREA) e entregue ao destino correspondente (cliente, prefeitura, Caixa, etc.).

⚡ Pronto pra acelerar seu trabalho?

Pra acelerar a parte mais chata do memorial — o levantamento dos itens da planta — sobe seu CAD no AI.arq. Em 5 minutos você recebe a planilha de quantitativos completa por disciplina, com referência SINAPI e TCPO já vinculada. Aí o memorial fica praticamente pronto pra preencher. Primeiro projeto é grátis em ai.arq.br.

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