Memorial Descritivo de Obra: Modelo Grátis em PDF + DOCX (2026)
Todo arquiteto entrega memorial descritivo em algum momento — pra anexar no contrato com o cliente, pra mandar pro orçamentista cotar a obra, ou pra quem vai financiar o imóvel pelo banco. O problema é o tempo: redigir um memorial bem feito costuma tomar boa parte de um dia, e quase ninguém usa modelo padronizado. Resultado: cada projeto começa do zero, copy-paste de algum memorial antigo que pode estar desatualizado. Esse guia traz a estrutura completa, orientada pela NBR 15575 e pela tradição consolidada da NBR 13.532, exemplos práticos de redação por ambiente, e libera um modelo editável em PDF e DOCX pra você baixar agora — sem cadastro.
Baixe o modelo agora (PDF + DOCX)
Antes de qualquer coisa, segue o modelo completo pronto pra editar. São duas versões do mesmo conteúdo: PDF pra visualização rápida e impressão, DOCX pra você editar no Word/Google Docs/LibreOffice. Sem cadastro, sem captura de email, sem pegadinha.
O modelo inclui capa formatada, instruções de uso, 10 seções pré-estruturadas, campos a preencher entre colchetes [assim], blocos repetíveis por ambiente (sala, cozinha, banheiros, quartos, áreas externas) e seção de assinatura. Foi montado pra atender a maioria dos casos típicos de obra residencial e comercial pequena/média no Brasil — adapte pra realidade do seu projeto.
O que é o memorial descritivo, juridicamente
O memorial descritivo é o documento técnico que descreve em palavras todas as soluções de projeto, sistemas construtivos, materiais, marcas e métodos de execução da obra. Historicamente, é tratado como um dos componentes do projeto arquitetônico na tradição da ABNT NBR 13.532 (Elaboração de projetos de edificações — Arquitetura), ao lado de plantas, cortes, fachadas e quadros descritivos. Vale lembrar que essa norma foi cancelada pela ABNT em 2017, mas a estrutura de documentos que ela consagrou segue sendo referência usual no mercado.
Diferente da planta (representação gráfica) e da planilha de quantitativos (lista numérica de itens), o memorial é textual — explica pra quem ler o quê será feito, com quê, e como. Funciona como contrato técnico entre arquiteto, cliente, construtor e órgãos fiscalizadores. Quando bem escrito, evita boa parte das discussões clássicas no canteiro do tipo "mas eu pensei que ia ser X" ou "o senhor não disse esse modelo".
Quem normalmente exige memorial descritivo no Brasil:
- Prefeituras municipais — etapa comum pra aprovação de projeto e habite-se
- Caixa Econômica Federal — anexo da Proposta de Construção Individual (PCI)
- Bancos privados — pra liberação de crédito imobiliário
- Clientes finais — anexo do contrato de obra
- Construtoras e incorporadoras — base pra orçar com precisão
- Tribunais — base técnica em perícias judiciais e disputas contratuais
- Obras públicas — integra o projeto básico exigido pela Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações)
O que a NBR 15575 mudou no memorial descritivo
A ABNT NBR 15575 (Edificações habitacionais — Desempenho), em vigor desde 2013 e com revisão em 2021, ajudou a transformar o memorial descritivo de uma simples "lista de materiais" em um documento que precisa demonstrar o desempenho esperado dos sistemas construtivos.
A norma estabelece parâmetros mínimos de desempenho pra cada sistema da edificação, entre eles:
- Estrutura (com critérios de vida útil de projeto)
- Vedações verticais (paredes — desempenho térmico e acústico)
- Coberturas (estanqueidade e durabilidade)
- Pisos (resistência mecânica e à abrasão)
- Sistemas hidrossanitários (durabilidade e estanqueidade)
- Sistemas elétricos (segurança e dimensionamento)
Na prática, isso significa que o memorial precisa ir além do nome do material. Não basta dizer "piso porcelanato" — convém indicar qual classe de PEI atende ao tráfego previsto pra cada ambiente.
O resultado é um memorial mais longo e detalhado do que o modelo antigo de poucas páginas. Mais trabalho, mas também mais clareza e proteção jurídica pro autor do projeto.
Estrutura padrão (10 seções)
Não existe lei federal padronizando o memorial, mas a maioria das prefeituras, da Caixa e do mercado segue uma estrutura parecida. Esta é uma estrutura que cobre a maior parte dos casos:
- Identificação do projeto — proprietário, CPF/CNPJ, endereço, área, finalidade, profissional responsável (CAU/CREA), número da ART/RRT
- Características gerais da edificação — tipologia, padrão construtivo, número de pavimentos, número de unidades habitacionais
- Sistema construtivo — fundação, estrutura, vedação, cobertura, com referência às normas ABNT correspondentes (NBR 6118 estrutura de concreto, NBR 6122 fundações, NBR 8800 estrutura metálica)
- Especificação por ambiente — bloco repetível pra cada cômodo (piso, parede, forro, esquadrias, instalações, mobiliário fixo)
- Especificação por disciplina — agrupamento alternativo dos itens (todos os pisos, todos os revestimentos, todas as pinturas)
- Acabamentos e revestimentos — detalhamento por ambiente molhado e seco
- Instalações — elétrica, hidráulica, esgoto, gás, climatização, combate a incêndio (NBR 5410, NBR 5626, NBR 8160, NBR 13103, NBR 16401, NBR 13714)
- Esquadrias — referência ao quadro de esquadrias com tipo, material, abertura, ferragem (NBR 10821 esquadrias externas)
- Pintura — tipo de tinta por ambiente, número de demãos, fundo preparador, marca
- Considerações finais — referências cruzadas, normas seguidas, assinaturas
Reforma residencial pequena tende a ser curta, de poucas páginas. Residencial médio padrão Caixa costuma ser mais extenso. Comercial corporativo grande pode chegar a algumas dezenas de páginas.
Caso especial: memorial pro financiamento Caixa (PCI)
Vale uma menção rápida: se a obra vai ser financiada pela Caixa Econômica Federal, o memorial descritivo precisa seguir o formulário oficial da instituição, que é parte da Proposta de Construção Individual (PCI). A PCI também inclui a planilha de orçamento com cronograma físico-financeiro, ART/RRT do responsável técnico, e projeto arquitetônico aprovado na prefeitura.
A Caixa avalia a PCI antes de liberar o crédito, e erro de preenchimento pode gerar rejeição. Dicas pra reduzir idas e vindas: use o vocabulário do próprio formulário (não invente sinônimos), especifique marca/modelo de itens críticos (louças, metais, telhas), cite materiais com classificação técnica (porcelanato com classe de PEI, ferro CA-50) e informe a vida útil de projeto considerada, em linha com a NBR 15575. Confirme sempre a versão atual do formulário e da lista de documentos direto com a Caixa, porque mudam de tempos em tempos.
Exemplo prático de redação por ambiente
Bom memorial é específico, técnico e verificável. Compare:
RUIM: "Cozinha terá piso cerâmico, paredes pintadas, bancada de granito."
BOM: "Cozinha (área 12,4 m²): piso porcelanato esmaltado retificado [marca/modelo], formato 60x60cm, classe PEI 5, junta 2mm, rejunte epóxi cor cinza. Paredes em revestimento cerâmico [marca/modelo], formato 32x60cm, até teto, junta 2mm, rejunte branco; pintura látex acrílica [marca/linha], cor [cor], 2 demãos sobre fundo selador, no teto e parede acima do revestimento. Forro de gesso liso pintado, altura final do piso ao forro 2,70m. Bancada em granito [tipo] espessura 3cm com testeira reta. Cuba inox [marca/modelo] 50x40cm sob bancada. Torneira [marca/modelo]. Instalações: 4 tomadas 2P+T 10A altura 1,10m, 1 tomada 2P+T 20A pra forno elétrico, ponto pra coifa com exaustão direto pra área externa."
A versão BOA elimina quase todas as dúvidas na obra. Cliente sabe exatamente o que vai receber. Construtor sabe exatamente o que cotar. Fiscalização sabe exatamente o que verificar. (No modelo, troque os campos entre colchetes pelas marcas e modelos efetivamente especificados no seu projeto.)
5 erros que enfraquecem o memorial
- Genérico demais. Escrever "piso de qualidade" ou "materiais conforme padrão de mercado" é juridicamente frágil. Em uma disputa, o cliente pode exigir o material mais caro do mercado e você terá pouca base pra argumentar.
- Esquecer marcas, modelos e classificações técnicas. Sem marca, o fornecedor tende a entregar o mais barato. Sem modelo, sem classificação técnica (PEI, classe da tinta, classe do vidro) e sem norma de referência, quase qualquer interpretação cabe.
- Não citar as normas ABNT aplicáveis. Toda especificação técnica ganha quando está amarrada à norma correspondente: NBR 15575 desempenho, NBR 9050 acessibilidade, NBR 6118 concreto armado, NBR 5410 elétrica, NBR 5626 hidráulica, NBR 8160 esgoto sanitário, NBR 13714 combate a incêndio.
- Inconsistência entre memorial e plantas. Memorial diz porta 0,80m, planta mostra 0,90m. Memorial cita revestimento até 1,80m, planta detalha até 2,10m. Esse tipo de divergência vira munição contra o autor do projeto.
- Reproduzir modelo pronto sem adaptar. O erro mais clássico: pegar memorial de outro projeto e mudar só o cabeçalho. Resultado: aparece especificação de ambiente que não existe na sua obra, ou falta especificação de ambiente que existe.
Como acelerar a redação do memorial
O ponto que mais demora no memorial costuma ser o levantamento dos elementos da obra: contar quantos ambientes, quantos tipos de piso, quantas portas, quais instalações. Isso vem direto da planta — mas levantar no PDF/DWG manualmente leva tempo.
Técnica que economiza tempo:
- Gere primeiro a planilha de quantitativos do projeto. Isso te dá a lista completa de itens por disciplina já contados.
- Use a planilha como checklist pra preencher o memorial. Cada disciplina da planilha vira uma seção descritiva do memorial.
- Aproveite as referências SINAPI pros itens — elas já vêm com vocabulário técnico padronizado que você pode adaptar.
- Cruze o memorial pronto com a planta pra garantir consistência (item 4 dos erros).
É exatamente esse workflow que o AI.arq automatiza. Você sobe o CAD (PDF, DWG ou DXF), a IA lê as pranchas em poucos minutos e devolve a planilha de quantitativos por disciplina, com cada item amarrado à composição SINAPI correspondente. A planilha distingue, de forma acessível, o que foi medido do desenho — medido (com selo de confirmado) — do que é estimativa (com selo de alerta), pra você saber em que confiar. Aí você usa essa planilha como base pra escrever (ou completar) o memorial.
Modelo editável (PDF + DOCX) — link novamente
Pra fechar, segue de novo o link de download do modelo. Use à vontade, sem cadastro:
O modelo já vem com a estrutura das 10 seções, instruções de uso, referências às normas ABNT principais, blocos repetíveis por ambiente e bloco de assinatura. Adapte pra realidade do seu projeto, faça revisão final com profissional habilitado (CAU/CREA) e entregue ao destino correspondente (cliente, prefeitura, Caixa, etc.).
⚡ Pronto pra acelerar seu trabalho?
Pra acelerar a parte mais trabalhosa do memorial — o levantamento dos itens da planta — sobe seu CAD no AI.arq. Em poucos minutos você recebe a planilha de quantitativos por disciplina, com referência SINAPI vinculada e distinção clara entre o que foi medido (selo de confirmado) e o que é estimativa (selo de alerta). Aí o memorial fica mais perto de pronto pra preencher. No beta, é grátis — quantos projetos quiser — em ai.arq.br.
Grátis no beta, quantos projetos quiser. Sem cartão. O exemplo abre sem cadastro.