Quanto Cobrar por Planilha de Quantitativos em 2026 (Tabela Completa)
Quanto vale o trabalho de fazer uma planilha de quantitativos profissional em 2026? Essa pergunta vive em grupos de arquitetos e orçamentistas. A resposta não é única — depende do porte do projeto, da complexidade, da região, e da sua experiência. Esse guia reúne a referência oficial (Tabela de Honorários do CAU/BR), faixas praticadas no mercado, e como pensar a cobrança pelas 4 modalidades mais comuns: por porte, por prancha, por m² e por hora. No fim, comento como a IA está mudando a conta de custo do levantamento. Uma observação importante: as faixas de valores deste guia são referências de mercado pra orientar sua decisão, não tabelas oficiais. Use-as como ponto de partida e calibre pela sua realidade.
A referência oficial: Tabela de Honorários CAU/BR
A Tabela de Honorários de Serviços em Arquitetura e Urbanismo teve seu primeiro módulo aprovado pela Resolução nº 64 do CAU/BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil), de 8 de novembro de 2013, com módulos complementares aprovados depois. A elaboração dessa tabela é uma exigência da Lei nº 12.378/2010, que regulamenta a profissão.
A tabela é online (honorario.caubr.gov.br) e cobre as etapas e o escopo dos serviços de arquitetura e urbanismo. Pra calcular, ela considera, entre outras variáveis:
- Valor do Custo Unitário Básico / metro quadrado de construção, que varia por estado
- Parâmetros de cada serviço e etapa definidos nos módulos da tabela
Importante: a Tabela CAU/BR é uma REFERÊNCIA pra orientar a remuneração; a negociação com o cliente é livre. O Código de Ética e Disciplina do CAU/BR orienta o arquiteto a não aviltar a própria remuneração, e a tabela ajuda a fundamentar uma proposta justa.
Pra levantamento de quantitativos especificamente, vale dimensionar a cobrança de forma proporcional ao escopo e à complexidade do projeto.
O que entra no preço (variáveis)
Antes de falar de valores, vale entender o que está sendo cobrado. As variáveis que mais afetam o preço de um levantamento:
- Tempo de trabalho — costuma ser o maior componente do custo
- Complexidade do projeto — comercial pesado versus residencial simples
- Número de pranchas e disciplinas — quanto mais, mais trabalho
- Nível de detalhamento exigido — memorial completo versus lista resumida
- Prazo de entrega — urgência tende a encarecer a proposta
- Responsabilidade técnica — emissão de ART/RRT agrega valor e responsabilidade
- Revisões inclusas — defina quantas entram no preço e a partir de quando cobra extra
Tabela 2026: cobrança por porte do projeto
Faixas de referência observadas no mercado em 2026 pra escritórios de pequeno e médio porte. Valores pra LEVANTAMENTO DE QUANTITATIVOS apenas (sem precificar a obra):
- Residência pequena (até 80m²): R$ 800 - R$ 1.500
- Residência média (80-200m²): R$ 1.500 - R$ 3.000
- Residência grande (200-500m²): R$ 3.000 - R$ 6.500
- Apartamento (reforma): R$ 1.200 - R$ 4.000
- Loja / comercial pequeno (até 100m²): R$ 1.500 - R$ 4.000
- Escritório corporativo (até 500m²): R$ 4.000 - R$ 12.000
- Corporativo médio (500-2000m²): R$ 12.000 - R$ 35.000
- Corporativo grande (2000m²+): R$ 35.000 - R$ 100.000
- Industrial / galpão (até 3000m²): R$ 6.000 - R$ 25.000
- Hospitalar / educacional pequeno: R$ 8.000 - R$ 25.000
São faixas amplas de propósito: a região, a maturidade do escritório e a complexidade do desenho movem bastante o valor. Capitais e regiões de maior custo de vida tendem a praticar valores mais altos. Trate como ponto de partida, não como tabela fixa.
Tabela 2026: cobrança por prancha
Cobrar por prancha é comum quando o cliente envia o projeto fragmentado. Faixas de referência:
- Prancha simples (planta única, baixa densidade): R$ 200 - R$ 400
- Prancha média (planta + cortes ou detalhes): R$ 400 - R$ 700
- Prancha complexa (pontos elétricos densos, hidráulica, esquadrias com 10+ tipos): R$ 700 - R$ 1.200
- Prancha A0 corporativa (escritório com 200+ pontos): R$ 1.000 - R$ 1.800
Um projeto comercial costuma ter algo entre 8 e 15 pranchas. Faça a conta:
- 10 pranchas médias × R$ 550 = R$ 5.500
- 8 pranchas complexas × R$ 900 = R$ 7.200
Dica: cobre prancha CHEIA, não fração. Se a prancha é A0 mas está meio vazia, ainda assim conta como 1 prancha cheia.
Tabela 2026: cobrança por m²
Em projetos comerciais e industriais, cobrar por m² costuma ser mais simples e previsível. Faixas de referência:
- Comercial leve (escritório, loja, café): R$ 8 - R$ 18 / m²
- Comercial pesado (restaurante, clínica, salão): R$ 15 - R$ 30 / m²
- Industrial (galpão, fábrica): R$ 5 - R$ 12 / m² (área grande dilui o valor)
- Hospitalar / educacional: R$ 20 - R$ 45 / m²
- Hotelaria: R$ 18 - R$ 35 / m²
- Centro comercial / shopping: R$ 12 - R$ 25 / m²
Pra residencial, a cobrança por m² é menos comum porque tem alta variação (um acabamento de luxo distorce a conta). Geralmente vale mais ir por porte ou por prancha.
Tabela 2026: cobrança por hora
Pra projetos atípicos, consultoria pontual ou itens fora do escopo principal, cobrar por hora ajuda. Faixas de referência por senioridade:
- Estagiário / técnico: R$ 30 - R$ 60 / hora
- Júnior (1-3 anos): R$ 60 - R$ 100 / hora
- Pleno (3-7 anos): R$ 100 - R$ 180 / hora
- Sênior (7+ anos): R$ 180 - R$ 350 / hora
- Especialista / consultor reconhecido: R$ 350 - R$ 800 / hora
Quanto tempo leva um quantitativo manual? Como ordem de grandeza:
- Residencial pequeno: poucas horas de um profissional pleno
- Comercial médio: cerca de uma jornada de trabalho
- Comercial grande: vários dias de trabalho
- Industrial: depende muito da densidade de pontos e disciplinas
Multiplique o tempo estimado pelo seu valor/hora pra calibrar o que cobrar. Cada escritório tem seu ritmo, então meça os seus próprios projetos pra ter números confiáveis.
O que muda em 2026 com IA
Ferramentas de IA (como o AI.arq) estão mudando a conta de custo do levantamento. O tempo gasto pra extrair quantidades de uma prancha cai bastante quando parte do trabalho braçal é automatizado — e isso libera o profissional pra revisar, decidir e responder tecnicamente, que é onde está o valor.
Na prática, isso abre duas escolhas pra quem adota IA:
- Ganhar pela margem: manter o preço de mercado e reduzir o custo de produção por projeto
- Ganhar pela escala: oferecer um preço mais competitivo e atender mais projetos no mesmo tempo
Vale lembrar a regra que não muda: a planilha que sai da IA é um ponto de partida quantitativo. O cliente continua pagando pela conferência, pela responsabilidade técnica e pela decisão de quem assina. A IA mede e conta; quem precifica e responde é o profissional habilitado.
Como pensar o preço usando AI.arq como base
Sugestão prática pra quem está adotando IA agora e quer manter a qualidade da entrega:
- Meça seu custo real por projeto: tempo de revisão e conferência da sua parte, somado ao custo da ferramenta
- Aplique um markup que remunere a responsabilidade técnica e a sua experiência
- Compare com as faixas de mercado deste guia e posicione sua proposta dentro delas
- Comunique os benefícios da sua entrega: rapidez, taxonomia alinhada ao SINAPI e separação clara entre o que foi medido e o que é estimativa
- Use os ganhos de produtividade pra investir no que faz seu escritório crescer
Muito profissional baixa o preço demais quando começa com IA — não precisa. O cliente continua pagando pela RESPONSABILIDADE TÉCNICA, não pelo software. Pra aprofundar o lado de orçamento e composição de custos, vale a leitura de Aldo Dórea Mattos em "Como preparar orçamentos de obras".
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