Quantitativos

Quantitativo SINAPI: planilha modelo XLSX por disciplina

📅 13/09/2026 · ⏱️ 11 min de leitura

Toda planilha de quantitativos de obra brasileira termina em algum momento batendo no SINAPI. Seja porque o cliente exige (obra pública sempre exige), seja porque o orçamentista pediu (precisa de código pra cotar), seja porque o financiamento da Caixa pede. Mas dois mitos atrapalham muita gente: achar que SINAPI é tabela de preço pronta pra copiar, e achar que dá pra ignorar o sistema e inventar códigos próprios. Esse guia explica em detalhe o que é o SINAPI, qual a diferença entre composição e insumo, quais são as 18 disciplinas típicas que entram numa planilha de arquitetura, como organizar o XLSX pro orçamentista preencher preço sem caos, e libera um modelo editável pra você baixar agora.

Baixe o modelo XLSX agora

Antes de explicar a teoria, segue o modelo pronto pra editar. É um XLSX com as 18 disciplinas separadas por aba, cabeçalho padronizado (código SINAPI, descrição, unidade, quantidade, colunas em branco pra preço unitário e total), célula de totalização por disciplina e aba final de consolidação. Sem cadastro, sem captura de email.

O AI.arq gera essa planilha a partir do seu CAD, com código SINAPI de referência nos itens em que há correspondência. O modelo é pra quem prefere montar à mão. Pra montar do zero, passo a passo: Como fazer planilha de quantitativos de obra.

O modelo já vem com exemplos de códigos SINAPI mais usados em cada disciplina (alvenaria, contrapiso, revestimento cerâmico, pintura, instalações). Substitua pelos códigos correspondentes ao seu projeto e preencha as quantidades extraídas da planta. As colunas de preço ficam em branco de propósito — quem precifica é o orçamentista, não a planilha.

Pra montar a planilha do zero, o passo a passo está em Como fazer planilha de quantitativos de obra.

O que é o SINAPI, em uma página

SINAPI é a sigla pra Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. É um banco de dados público de produção conjunta entre o IBGE e a Caixa Econômica Federal, com atualização mensal. A pesquisa foi implantada em 1969 (na época sob o extinto BNH, Banco Nacional da Habitação), teve sua coleta e processamento assumidos pelo IBGE em 1985 e, depois da extinção do BNH, teve os aspectos de engenharia assumidos pela Caixa. A partir de 2013 o sistema passou por uma evolução metodológica, com auditoria técnica das composições. Hoje é a principal referência de custos pra construção civil no Brasil.

No arranjo atual, o IBGE responde pela coleta, cálculo e divulgação dos preços e índices, e a Caixa pela definição e manutenção dos aspectos de engenharia (projetos e composições de serviços).

O SINAPI publica três tipos de dados diferentes:

  1. Insumos — itens básicos isolados (saco de cimento 50kg, m³ de areia, hora de pedreiro, m² de telha cerâmica). Cada insumo tem um código numérico, descrição padronizada e preço médio pesquisado em cada estado.
  2. Composições — junções de insumos que formam um serviço completo (1 m² de alvenaria de bloco cerâmico = X tijolos + Y kg de argamassa + Z horas de pedreiro + W horas de servente). Cada composição também tem código, descrição, unidade de medida e custo unitário resultante.
  3. Índices — coeficientes estatísticos que mostram variação de custo regional e temporal.

A Caixa publica todo mês relatórios com milhares de composições e insumos, separados por unidade da federação. O download é gratuito no site da Caixa, na seção SINAPI. Existe versão desonerada (com a desoneração de encargos sobre a folha) e não-desonerada (com encargos cheios). Misturar as duas no mesmo orçamento é erro clássico, falaremos disso adiante.

Diferença entre insumo, composição e cotação direta

Essa confusão derruba muita planilha. Vamos separar:

Insumo é o material ou mão de obra isolada. Exemplo: um insumo de cimento Portland CP II-32, saco de 50 kg. O preço pesquisado é o preço médio do saco no estado X, em mês Y. Não inclui transporte interno na obra, perdas, mão de obra pra aplicar nem encargos.

Composição é o serviço pronto. Exemplo: uma composição de alvenaria de vedação com blocos cerâmicos furados, espessura de 9 cm. Inclui o bloco, a argamassa de assentamento, a mão de obra de pedreiro e servente, perdas e produtividade média. Resultado: um custo unitário por m².

A composição é o que vai na planilha de quantitativos do arquiteto — você quantifica m² de parede, não saco de cimento. O orçamentista pode depois abrir cada composição em insumos pra cotar diferente, mas isso é função dele, não sua.

Cotação direta é quando o item não tem composição SINAPI compatível (exemplo: revestimento de pedra natural específico, marcenaria sob medida, esquadrias importadas). Quando a SINAPI não cobre o item, outras bases entram — a comparação está em SINAPI, TCPO ou SICRO: qual usar. Nesses casos, a planilha mantém linha aberta com descrição clara e o orçamentista cota com fornecedor. Convenção comum: marcar essas linhas como COT (cotação) na coluna de código.

SINAPI é referência, não verdade absoluta

Aqui mora o erro mais comum: tratar o preço SINAPI como o preço real da obra. Não é. O SINAPI é uma média estatística pesquisada em fornecedores, em uma data específica, em um estado específico. O preço real depende de:

Por isso a planilha de quantitativos do arquiteto deve trazer o código SINAPI como referência de COMPOSIÇÃO e DESCRIÇÃO técnica padronizada, mas deixar as colunas de preço unitário e total em branco. Quem preenche é o orçamentista profissional, que aplica BDI, ajusta preço regional e considera o cenário específico do canteiro.

O Acórdão 2622/2013 do Tribunal de Contas da União, ao tratar das faixas de BDI, reforça a lógica de que esses parâmetros são referência pra análise — o gestor público pode adotar valores fora da faixa desde que justifique tecnicamente. Em obra privada, a liberdade é ainda maior.

Quando a lei obriga uso do SINAPI

Em obra privada, o SINAPI é opcional — virou padrão de mercado, mas ninguém te obriga a usar. Em obra pública é diferente.

A Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações), no Art. 23, estabelece que o valor estimado de obras e serviços de engenharia em licitação pública seja calculado com base em composição de custos unitários menor ou igual à mediana do item correspondente nos sistemas de referência oficiais: o SICRO, para obras e serviços de infraestrutura de transportes, e o SINAPI, para as demais obras e serviços de engenharia. A esse valor somam-se o BDI de referência e os encargos sociais cabíveis.

Na prática, isso significa que todo projeto que vai concorrer em licitação pública precisa entregar planilha orçamentária com referência SINAPI (ou SICRO, conforme o caso). A própria lei admite que estados, municípios e o Distrito Federal usem outros sistemas de custos próprios quando a contratação não envolve recursos da União.

Obras financiadas pela Caixa Econômica Federal também costumam exigir referência SINAPI no orçamento anexo. E a ABNT NBR 12721:2006, que trata da avaliação de custos unitários de construção pra incorporação imobiliária, define a metodologia de cálculo do custo global e do CUB (Custo Unitário Básico) usado no registro da incorporação.

As 18 disciplinas típicas de uma planilha de arquitetura

Uma planilha de quantitativos completa de obra residencial ou comercial costuma se organizar em torno destas 18 disciplinas principais (a ordem segue a lógica construtiva, de baixo pra cima, do bruto pro acabamento):

  1. Serviços preliminares e administração de obra — placa, barracão, ligações provisórias
  2. Movimento de terra e contenções — escavação, aterro, bota-fora, compactação
  3. Fundações — sapatas, baldrames, estacas
  4. Estrutura — concreto armado, alvenaria estrutural, estrutura metálica
  5. Vedações verticais — alvenaria, drywall, paredes pré-moldadas
  6. Cobertura — estrutura de telhado, telhamento, calhas, rufos
  7. Impermeabilizações — manta asfáltica, argamassa polimérica, pintura impermeabilizante
  8. Esquadrias — portas, janelas, alumínio, ferro, madeira
  9. Vidros e ferragens — vidro temperado, laminado, fechaduras, dobradiças
  10. Revestimentos internos — chapisco, emboço, reboco, gesso, cerâmica, porcelanato
  11. Revestimentos externos — fachada, texturas, painéis, pedras
  12. Forros — gesso acartonado, PVC, madeira, fibra mineral
  13. Pisos — contrapiso, regularização, porcelanato, laminado, madeira, vinílico
  14. Pinturas — látex PVA, acrílica, esmalte sintético, verniz
  15. Instalações hidrossanitárias — água fria, água quente, esgoto, ventilação
  16. Instalações elétricas e telecom — força, iluminação, lógica, TV, alarme
  17. Instalações de AVAC e exaustão — ar-condicionado, ventilação mecânica, coifa
  18. Serviços complementares e limpeza final — paisagismo, comunicação visual, limpeza pós-obra

Projetos menores (reformas) podem agrupar várias disciplinas. Projetos maiores (multifamiliar, comercial corporativo) podem subdividir mais (separar prevenção de incêndio do elétrico, separar lógica do telefone). O modelo XLSX baixável traz as 18 disciplinas em abas separadas e você adapta.

Como organizar a planilha — colunas padrão

A estrutura de colunas mais usada no mercado é parecida com a de planilhas orçamentárias de órgãos públicos e da Caixa. Cada linha de item deve conter:

  1. ITEM — numeração hierárquica (1.1, 1.2, 1.2.1) seguindo a divisão de capítulos
  2. CÓDIGO — código SINAPI da composição ou COT pra cotação direta
  3. DESCRIÇÃO — descrição técnica do serviço; copiar exatamente do banco SINAPI quando aplicável, pra evitar interpretação
  4. UNIDADE — m, m², m³, kg, un, h, vb (verba) — sempre a mesma unidade da composição SINAPI referenciada
  5. QUANTIDADE — número extraído da planta pelo arquiteto/projetista
  6. PREÇO UNITÁRIO — EM BRANCO pra orçamentista preencher
  7. PREÇO TOTAL — fórmula =QUANTIDADE*PREÇO UNITÁRIO, fica zero até preencher
  8. OBSERVAÇÕES — opcional, pra notas sobre interpretação, marca exigida, premissa adotada

No final de cada disciplina (aba ou bloco) entra uma linha de subtotal. Numa aba final "Consolidação" entra a tabela resumo com 1 linha por disciplina + linha de BDI (% a aplicar) + linha de total geral. Essa aba consolidada é a que o cliente costuma olhar primeiro.

O formato XLSX (Excel) é mais usado que ODS ou CSV porque suporta fórmulas, validação de dados e formatação condicional. Mas evite macros complexas: dificulta abrir em LibreOffice, Google Sheets e clientes corporativos com TI restritiva.

Tabela de codificação por capítulo SINAPI

O SINAPI organiza suas composições em grandes grupos temáticos. Saber em qual grupo procurar economiza tempo. Os temas mais usados em quantitativos de arquitetura, de forma geral:

Os códigos SINAPI mudam a cada atualização (especialmente após grandes revisões). Não decore código: sempre consulte a versão do mês correspondente no relatório oficial da Caixa antes de fechar a planilha. O download do relatório completo é gratuito em caixa.gov.br, na seção SINAPI.

Cinco erros que invalidam a planilha

  1. Copiar o preço SINAPI direto sem aplicar BDI. SINAPI publica custo direto. Sem BDI (lucro + impostos + despesas indiretas + risco), o orçamento fica subdimensionado. Em obra pública, é causa de aditivo. Em obra privada, é frustração com o cliente.
  2. Misturar versões desonerada e não-desonerada na mesma planilha. A versão desonerada considera a desoneração de encargos sobre a folha; a não-desonerada inclui os encargos cheios. A diferença na mão de obra é relevante. Use uma das duas pra planilha inteira e declare qual no cabeçalho.
  3. Usar código SINAPI desatualizado. A Caixa revisa e renumera composições periodicamente. Código que existia em uma revisão pode ter mudado em outra. Sempre baixe o relatório do mês de referência do orçamento.
  4. Confundir unidades. Composição de alvenaria é em m², não m³. Composição de pintura geralmente em m² (por demão), não em galão. Conferir a unidade SINAPI antes de multiplicar pela quantidade.
  5. Não documentar a premissa. Toda planilha deveria ter um cabeçalho declarando: data de referência SINAPI, estado de referência, versão (desonerada ou não), BDI aplicado (se aplicado), critério de cotação direta. Sem isso, em qualquer auditoria fica impossível reconstruir o raciocínio.

Como acelerar a montagem da planilha

O trabalho mais demorado da planilha de quantitativos não é organizar colunas — é levantar quantidades. Contar área de alvenaria, metragem linear de rodapé, número de tomadas, m² de cobertura, m³ de concreto. Tudo isso vem da planta, e medir manualmente em PDF ou DWG leva horas.

Workflow que economiza tempo:

  1. Antes de abrir o Excel, organize o CAD com todas as pranchas necessárias (arquitetônico, hidráulico, elétrico, estrutural se houver).
  2. Use ferramenta de medição automatizada pra extrair áreas, comprimentos e contagens por categoria — uma ferramenta que ofereça classificação SINAPI já entrega o código vinculado.
  3. Cole os números na planilha modelo, conferindo unidade. Pra ver como fica um levantamento pronto, com as linhas medidas separadas das estimadas, abra o quantitativo de exemplo.
  4. Sinalize cada linha de forma legível: marque com check e a palavra MEDIDO as linhas que são extração direta da planta, e com alerta e a palavra ESTIMADO as que são suposição/sugestão, pra que o orçamentista saiba onde revisar com mais cuidado. Use sempre símbolo + palavra, não só cor.
  5. Mande pro orçamentista preencher os preços e calcular BDI.

É exatamente esse workflow que o AI.arq automatiza nas etapas 1 a 3. Você sobe o CAD em PDF, DWG ou DXF e a plataforma lê as pranchas, identifica os elementos, conta e mede, e devolve a planilha XLSX organizada por disciplina, com código SINAPI nos itens em que há correspondência confiável. Uma ressalva pra não confundir: a taxonomia interna do AI.arq tem 19 disciplinas e não é idêntica à lista de 18 acima — ela agrupa de outro jeito (marcenaria e mobiliário separados, por exemplo). A lista deste post é a convenção de mercado; a do AI.arq é a que organiza a planilha que você recebe. Cada linha vem sinalizada como medido (check) ou estimativa (alerta).

Reforço importante: a planilha gerada é um ponto de partida revisável, não verdade absoluta. O arquiteto/projetista revisa premissas, ajusta o que a IA não enxergou, e o orçamentista profissional aplica preço regional e BDI antes de fechar com o cliente. Quem precifica é gente, não software.

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